quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

A Grande Beleza

Somente na semana passada consegui assistir, do princípio ao fim, sem atender telefone ou mirar a rede social, o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014, “A Grande Beleza”. O longa dirigido por Paolo Sorrentino, trata das reflexões sobre a vida do personagem Jep Gambardella (Toni Servillo), um escritor, ao completar 65 anos. É verão em Roma, ele mora em um elegante apartamento, no coração da capital italiana, mas está inquieto.


Na verdade, o personagem é autor de um grande e único sucesso, o romance “O Aparelho Humano”, que escrevera décadas atrás. Envolvido com a vida mundana, não conseguiu concluir nenhum outro livro, dedicando-se a uma bem sucedida carreira de jornalista social, onde decide quem é quem nas altas rodas, usufruindo dos privilégios de sua fama.


Mas a repentina volta à lembrança de um primeiro amor, ainda na juventude, o leva a questionar o mundo dos que o cercam e que, antes, assistia com indiferença ou cinismo. Homens e mulheres, empresários, a nobreza falida, os religiosos, são vistos de uma maneira aguda por Jep, em sua busca, não pelo tempo perdido, mas pelas coisas que realmente importam. Aos 65, percebe que aceitar o que não lhe agrada, é um perigoso tempo perdido.


O diretor Sorrentino - assim como não se preocupou com as comparações ao trabalho do mestre Fellini - também não emite julgamentos. Deixa para quem assiste a melhor interpretação das cenas, às vezes delirantes do filme. E ainda nos permite um olhar atento, às nossas próprias vidas. Não precisamos estar em Roma para agir feito os romanos. Aqui mesmo nos deparamos com gente e vidas semelhantes. Quantos projetos perdidos, quanta palavra desperdiçada em troca do reconhecimento que vira uma imagem desbotada, logo ali adiante.


“Viajar é útil, exercita a imaginação. [...] Aliás, à primeira vista, todos podem fazer o mesmo. Basta fechar os olhos. É do outro lado da vida,” afirma o trecho do escritor maldito Louis-Ferdinand Céline, que abre o filme e utilizo aqui, para encerrar este artigo. Viver é mais do que ser apenas correto ou valorizar a estética da vulgaridade que confunde fortuna com poder.  A verdadeira beleza está em nos apresentarmos o mais semelhantes possível a nós mesmos. Sem perder a elegância, a leveza do espírito.

Bela na passarela da calçada

Estávamos eu e mais dois senhores em uma lanchonete e, de repente, ela surge. Passos elegantes sem traços anoréxicos ou a vulgaridade das “modelos” das redes sociais. Um gari parou de varrer a calçada para não levantar pó e melhor admirá-la. Cidadã responsável, ela procura a faixa de segurança para atravessar a rua movimentada. Está ali, a poucos metros de nós. Saia justa, blusa em estilo oriental a sustentar a leveza sexy de seu andar, apesar do calor insuportável de forno, digo Porto Alegre.



Cruza a porta por onde a observamos, desajeitados. Pastéis nas mãos, a mastigar o ar tomado de um perfume suave e doce. Conhecem aquele olhar enviesado tipo Mona Lisa? Pois foi o que recebemos. Por breves segundos, é claro. Olhar sem arrogância, mas sabedor das consequências de tudo aquilo que um dia Vinícius de Moraes poetizou a uma certa garota de Ipanema. Beleza que não é só nossa, mas quando passa  "O mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo...". 



Em nosso respeitoso silêncio, agradecemos o dom feminino de transformar uma simples calçada em passarela. "É mulher para se guardar numa redoma de cristal. Intocável", exagerou o pasteleiro. O estimado leitor poderá me recriminar. A marginalidade em guerra e tantas outras mazelas brasileiras e eu aqui a divagar sobre os encantos femininos.  



Ora, amigos! Quando se vive em uma cidade que já tem locais onde a lei marcial do tráfico impera, a serviço é claro, de milhares de consumidores, é preciso partir para a seguinte reflexão: enquanto muitos caem na ilusão da fortuna fácil do comércio das drogas, e milhares se deixam seduzir pelo vício. outros filtram a miséria humana e usufruem, sem culpas, da energia bonita que se esconde no cotidiano.


Então, valorizemos a capacidade de superação, de buscar nas esquinas onde o medo espreita, a beleza de gente comum como nós. E se for para roubar alguma coisa, que seja um olhar a insinuar promessas que não precisam ser cumpridas. Basta que nos ajudem a incluir um pouco de fantasia contra um cotidiano rude e geralmente sofrido. A vida, afinal, é isso.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Descasado Tatuíra entre o anzol e o pescado

 


Pescar, decididamente, não estava no projeto deste meu amigo descasado. Um típico macho da espécie que, ao chegar à meia-idade, só pensava em festa, para compensar o  passado monótono. Circulou por quase todo litoral sul e não chegou ao porto desejado, Agora retornava de uma  bem sucedida pescaria na Plataforma de Cidreira onde não fisgara uma sardinha sequer, mas observara a lua, o mar e o esforço do tio acompanhado daquela primeira aventura. Cristina era o nome da mulher - madura e charmosa -  mesmo vestindo um velho e surrado abrigo.

Não fugia as suas responsabilidades, sabia que transformar o resultado daquela pesca em alimento era com ele, então, não reclamou na interrupção de sua jornada em busca de sereias festeiras. Preparou um jantar especial, na casa de Cristina. Ouviu histórias de pescador,  outras de vida. Cristina também era divorciada, perdera o marido para um professor de inglês. 

O vinho verde português que acompanhou a janta, arejou os espíritos, transformando melancolias em boas gargalhadas. Ao final da noite, o tio, alegando cansaço, voltou para casa. Ele permaneceu, com a desculpa de  lavar a louça e embalar para congelamento os filés de peixe restantes.

Naquela noite e nas duas seguintes, trocaram confidencias de pele, suspiros doces carregados em maresia e suor. Foram à praia juntos. Sem dar as mãos, como se isso representasse algum tipo de compromisso. Um acordo extraoficial.

Encontrara a companhia ideal, em uma pescaria, longe da tensão frenética dos bares da moda e seus drinks duvidosos. Na hora de retornar – as férias estavam encerradas para ele – ela ainda permaneceria, o sentimento era de uma paz sem bandeira, de um armistício na batalha dos afetos mal resolvidos.

Embora decidido a não querer mais compromissos duradouros, sentia-se como aqueles peixes rebeldes que lutam contra a linha que os segura, já irremediavelmente fisgados. E só por isso que, com um fio de voz, perguntou da viabilidade de um reencontro.

“Melhor deixar assim. Foi tão bom, tão natural que não precisamos correr o risco de transformar esse momento em rotina, ou desilusão lá adiante. Ficamos só com a parte boa. Nosso vínculo será esse momento, breve, mas gostoso", respondeu Cristina.

Meu amigo, divorciado de carteirinha, macho independente acusou o golpe. Estava sucumbindo a seus próprios e argumentos. Disfarçou com bom humor. “Na semana que vem então, o velho capitão busca outro porto para ancorar”. Nem olhou para trás ao sair. Percebera naquele momento que fora o maior pescado daquela noite na Plataforma de Cidreira.

Ela fazia pesca esportiva. Fisgava só pelo prazer, para depois devolver ao mar. Intacto, embora a marca do anzol, às vezes, não curasse apenas com um beijo de adeus.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

A sina de um descasado tatuíra

 

Um amigo, recém divorciado, entrou no verão à moda Marcel Proust, "em busca do tempo perdido". Começou no litoral gaúcho, ainda tímido, com festa na casa de familiares.  Em Cidreira, no aniversário de um tio - tios e tias é o que não falta lá - conheceu a filha de um ex-chefe. O ambiente caseiro não permitiu que rolasse nada excepcional. Aliás, “ficaram” e ele compreendeu o real significado deste pré-namoro: beijinhos e abraços, sem grandes avanços. E na retranca, ao contrário do esperado, permaneceu entre sábado e domingo.


Descasado em férias ignora as filas no supermercado, a interpraias maltratada das nossas cidades litorâneas e todos os riscos e fiascos típicos da temporada. Só precisa de bebida gelada e é claro, mulheres quentes. Assim, largou o veraneio típico de comilanças, carteado e sol para, na segunda-feira, avançar rumo a praias onde o agito é maior. Em Capão, conheceu uma psicóloga – ou melhor – foi reconhecido por ela que o via com frequência na clínica onde trabalhava. Ele e a ex-esposa haviam tentado terapia de casais, antes dela encontrar a cura, nos intervalos das sessões, com um engenheiro civil.


A psicóloga era divertida, mas talvez por cacoete profissional,  insistia em analisar cada palavra e movimento deste meu amigo que, como bom divorciado, estava cansado do monitoramento feminino. Mochila nas costas, seguiu para Atlântida. Lá, em busca da fêmea ideal, descolada e feliz,  conheceu uma empresária do ramo de cosméticos. Bonita, já madura e com ar de quem não perde tempo, não hesitou em convidá-lo para um espumante ao final da tarde. Tudo corria bem se não fosse a descoberta, na pior hora, de que ela era casada. E o marido quase batia à porta!


Escapou porque o sujeito enviou um whatsapp. "Tô chegando amorzão!" Avisar, colegas maridos, sempre pode evitar tragédias ou terríveis constrangimentos!  Desolado, decidiu tentar a sorte nas praias de Florianópolis. Nada de momentos turvos, ondas de chocolate. Desistiu quando uma simpática argentina, em um destes botecos da moda, sei lá em que praia da ilha, insistiu que dividissem uma caipirinha. Mesmo à meia luz,  embora bonita e cheirosa, ela lembrava demais, uma ex-colega de aula que o humilhara na adolescência. 


Ainda experimentou Garopaba. Na casa alugada por amigos, divertiu-se muito. Cozinhou, bancou o DJ na noite, mas como todos eram casados, não atingiu seu objetivo: um rápido namoro de verão. Nos bares, dezenas de outros casais e alguns solteiros, a maioria homens, lhe mostravam um cenário desanimador. Onde estariam elas, as solteiras, que em seus dias de marido fiel o furavam com olhares sedutores. Prometiam tudo!


E assim, à moda tatuíra, com quem vai se enterrar na areia da depressão, voltou às praias gaúchas. Ali poderia conversar com amigos e familiares. O tio – aquele de Cidreira – insistiu que o acompanhasse em uma pescaria na Lagoa. Aceitou, por falta de coisa melhor. E foi nessa pescaria que voltou a ver a filha do ex-chefe. Aquela do parágrafo inicial, que adora pescar, coisa rara entre mulheres. Quem sabe seria um presságio, a hora de lançar a rede para uma nova candidata a sereia. E como filosofou o francês Proust “O amor mais exclusivo por uma pessoa é sempre o amor de outra coisa.”

sábado, 11 de janeiro de 2025

Quando nem o bolo é confiável

😈💀

  E aí entramos em 2025, quem sabe, com uma nova neurose: aceitar ou não uma fatia de bolo de amigos, ou mesmo de algum familiar com o qual já tivemos atritos domésticos. Todo desentendimento é absolutamente sanável com diálogo e boa vontade. Mas se a solução partir para um embate mais forte, evitemos aqueles de perfil odioso. Eu sei, não se brinca com coisa séria, mas o caso que repercutiu nacionalmente, a partir de Torres, o bolo envenenado que matou três pessoas -  todos parentes - me provocou a primeira crise de ansiedade do ano. A maldade encravada onde menos se espera, assusta e deprime.


Não tenho capacidade para avaliar o que pode ocorrer na cabeça de uma pessoa a ponto de chegar a atos extremos de crueldade. Eu aprendi, no cotidiano, a perceber que alguns transtornos de personalidade resultam de situações bem claras pelo ambiente em que se geravam. Maus tratos na infância, por exemplo, ou algum tipo de predisposição no convívio doméstico que leve a essa ausência de sentimentos,  a incapacidade de se colocar no lugar do outro e medir a extensão do mal a ser provocado. 


O amor, o ódio e a indiferença  passeiam pela mesma calçada. Cruzam por nós o tempo todo. Ainda tenho fé, confiança de que os seres humanos, autores de tantas maravilhas arquitetônicas, obras de engenharia fabulosas, medicamentos que salvam vidas, possam conviver em equilíbrio ao lado da ciência, responsável por antídotos a tantos venenos mortais, muitos deles extraídos da própria natureza. E juntos vigiar o mal, especialmente quando originado por uma não declarada depressão.  


Lembro os dias que antecederam minha decisão pela psicanálise. Eu me sentia, literalmente, um erro de projeto - tudo era tédio, sem prazer em atividades que antes curtia. Um sujeito insosso entre conquistas e derrotas. E me dei conta de que buscar o entendimento, ali, naquele divã, demonstrava não apenas força de vontade, mas de firmar  uma identidade própria. Buscar a realização sem agredir a si mesmo ou terceiros.


E assim, sigo nesses caminhos tortos, recheados de verdades às vezes duras, quase indecifráveis, mas voltadas aqueles que jamais desistem e não se permitem o contato conivente com o mal.  Os primeiros dias de 2025 nos alertam para a maldade que pode  envenenar um bolo, ricamente decorado, como uma metáfora para a maldade.


O lado ruim de qualquer ser vivo, especialmente de portadores de psicopatia, não se espelha simplesmente na aparência, é no recheio, que se encontra a essência, com seus temperos e vivências. Durante minhas sessões de terapia aprendi a distinguir entre os que se valem do mal como argumento para suas ações. E parti para a defesa, sem medo dos que me cercam, mas confiante em meu poder de avaliação que,  eu sei, pode falhar, mas me mantém alerta contra os possíveis lindos bolos suspeitos do cotidiano.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Ano Novo, escrita leve

 

Agora estou a reunir forças para um efetivo despertar, ou seja, um réveillon absolutamente verdadeiro à disposição de algumas viradas que considero fundamentais. Esse esforço inclui uma sincera mentalização para que possamos - nós, passageiros neste sofrido planeta - termos um pouco mais de equilíbrio entre vendavais, terremotos e dias de brisa, sol ameno ou frio suportável. Ah! E menos chiliques de extremismos que nada ajudam. Só confundem os incautos e inocentes de plantão. 



Doce ilusão dirão alguns. Mas é preciso esse pensamento otimista, essa crença de que os humanos saberão respeitar as regras de uma vida sem tantos sobressaltos. Cinemas! Voltarei aos cinemas de shopping. Vamos prestigiar aqueles telões enormes, que me fizeram sonhar em ser um galã, herói de capa e espada. Ainda guri, morei em Rio Pardo e lá  tinha o Cine Coliseu a me ensinar a ser fã de filmes de cowboy e a viver minha primeira paixão. Ah! Saudades da linda Romy Schneider em “Sissi, a Imperatriz”. 



Enquanto digito, recebo uma mensagem meteorológica prevendo sol com muitas nuvens e pancadas de chuva e alta probabilidade de formação de arco-íris! Tudo que eu precisava para encerrar esse difícil 2024. A visão daquelas tiras coloridas suspensas na atmosfera e um girassol da cor do cabelo de minha musa, conforme escreveu o mineiro Lô Borges - parceiro de Milton Nascimento. “E se eu morrer, não chore não. É só a lua. É seu vestido cor de maravilha nua…Ainda moro nesta mesma rua. Como vai você? Você vem? Ou será que é tarde demais?



Como está a iniciar um 2025 novinho em folha, nada é tarde demais, Tudo o que for bom pode ser sonhado, projetado ou criado. E o ruim, podemos nos esforçar um pouco e eliminar, pegar pelo rabo e jogar na lixeira para - igual a um notebook - deletar para todo o sempre. Sim, podem me criticar, dizer que fantasiei. Mas o sonho é um primeiro passo na criação de um novo projeto de vida. Todos juntos, todos com respeito às diferenças que, na verdade, representam a necessidade de mudanças, como folhas perdidas de um antigo calendário.  Até lá! 



O pinheirinho trêmulo

 

Era véspera daquela típica confusão doméstica dos finais de ano. A agitação das crianças, os tios comentando a decoração e os donos da casa atarefados em receber a todos. É sempre assim, o 24 de dezembro passa voando. Da cozinha chegava aquele aroma de assado, alguém se concentrava na finalização de um arroz à grega e uma sogra fofoqueira apontava para as compotas de frutas que, de acordo com ela, estavam “aguadas”. Sem querer parecer totalmente bruxa, justificava: “minha nora é muito querida, mas deixa a desejar nos doces”.


A árvore natalina já sacudira duas vezes e o pai, zeloso com o investimento que fizera em lâmpadas, bolas coloridas e um presépio feito em cerâmica, acompanhava atento a movimentação. Bob, o cachorro da família, um velho pastor alemão, cruza a sala carregando entre os dentes o bigode e a longa barba do Papai Noel. E lá se foram os tios no encalço do bicho, lento, mas decidido a não entregar sua captura. Foi convencido, pelo olhar raivoso do pai e uns biscoitos caninos que a dona da casa reservava para os momentos de recompensa. Dessa vez, o fazia por uma causa maior.


Recuperaram a barba, meio babada, mas salva. Nada que o sopro quente de um secador não resolvesse. Por trás da porta, um dos guris observava a cena, sem entender bem de onde surgira aquela imensa barba. Aceitou a desculpa de que era para um boneco que colocariam enfeitando na chaminé da casa. Curioso, perguntou, mais de uma dezena de vezes onde estava o tal Noel de mentira, mas se fizeram de surdos e a dúvida foi vencida em troca de algumas balas e pirulitos que surgiram dos bolsos milagrosos dos avós. Afinal, é para isso que eles servem. Adoçar os pequenos, ora!


Poucas horas antes da meia-noite, serviram o jantar. Era uma tradição e uma maneira de evitar que a fome deixasse os convidados entupidos de petiscos típicos da época, como nozes e castanhas.  A danada da árvore natalina seguia balançando mesmo com as estacas de madeira que haviam colocado para evitar surpresas desagradáveis. Na hora certa foram entregues os mimos, entre abraços, brindes e algumas lágrimas saudosas por aqueles que já haviam partido.


De repente, sem mais nem menos, a árvore balança de um lado para o outro e, imitando um imenso pinheiro nativo, desaba no chão arrastando bolas coloridas, lâmpadas e os mimosos cartões que os familiares haviam deixado. Ao se aproximarem do vaso, perceberam um par de patinhas sujas e dois olhinhos assustados saindo de um túnel cavado no entorno da árvore. 


O mistério se resolvia ali. Fred, o porquinho-da-índia que sumira um dia antes, havia decidido voltar às origens. Longe da gaiola onde vivia, cavou um túnel perfeito entre as raízes plásticas. Tudo muito bem encoberto entre pinhas coloridas e fitas decorativas, disfarce perfeito e decorativo.  E foi assim, às gargalhadas, que celebraram mais um Natal. Dessa vez com a ajuda do pequeno Fred, responsável por tornar inesquecível aquela noite.