Aconteceu mais ou menos assim: véspera de Ano Novo, preparativos acelerados para a ceia e lá se foi a energia elétrica. Pararam os motores do filtro da piscina, a bomba quem enchia a caixa d’água, esfriou o ferro que passava os lençóis do quarto de hóspedes e, é claro, os ânimos de quem receberia familiares e amigos para o reveillon. A empresa fornecedora de energia não prometia nada, dizia que buscava pela origem do problema. Em casa, se buscava qualquer coisa que iluminasse. Porque não compramos um gerador? Onde estavam as velas?
A previsão era de lua cheia. Chegou a se pensar em mesa no pátio, ao luar. Romântico, mas nada prático. A luz azul da lua poderia ser coberta por nuvens! Velas ao vento? Tétrico e improvável demais! Lampiões, lanternas? Não havia. Mas por volta das 21h, retornava a energia para alívio de quem tinha muita bebida e sorvetes a esquentar no refrigerador.
A tranquilidade durou pouco. De repente, roncou uma torneira. E outra! E o vaso não dava descarga! A caixa d'água estava totalmente vazia. A bomba que deveria encher os reservatórios, queimara com a queda de energia. Ou seja, havia luz, mas a família estava a seco!
As cisternas que ecologicamente guardam água da chuva para o jardim e limpeza da casa, foram a alternativa. Banho, só de bacia, como antigamente. Todo igual a alguns séculos atrás. Era isso ou o banho frio na piscina.
No primeiro dia útil daquele fatídico ano, foi consertado o abastecimento doméstico de água. E aí sim, um segundo brinde coletivo. Feliz Ano Novo! Depois de acompanhar o noticiário – a insensatez do trânsito e excessos de bebida e suas vítimas – todos que haviam enfrentado um dia de racionamento, chegaram à conclusão de que estavam muito bem, obrigado!
Em 2023, o negócio é não cair em depressão. Eu sei, os 365 dias passados foram de extremismos, milhares de rachas homéricos entre familiares e amigos, mas achar que a casa vai cair a qualquer momento, também não resolve. Dificuldades, maldades e tropeços de toda natureza, não escolhem hora, mas decidir como enfrentá-los é o possível. Equilíbrio, serenidade e objetivos bem definidos são fundamentais. Caso falte luz, acenda uma vela. Triste mesmo é se tornar um ser humano desiludido, sem energia interior e vencido pelo inesperado.


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