terça-feira, 28 de maio de 2024

A mãe esquecida e as cheias

Acordei com o peso de todas as cheias - assim mesmo - encharcado de tanta notícia ruim, ilhado no Parque Eldorado, em uma casa poupada pela fúria das chuvas. E aí lembrei minha mãe, dona Hedy Da Silva Teixeira, quando viemos decididos a comprar um terreno por aqui. Nos mostraram a parte baixa, plana e bem bonita. Mas ela, imediatamente, reagiu, “aqui qualquer chuvinha faz um charco." E não é que ela estava certa? 

Nos instalamos numa subida de coxilha, um pouco mais adiante, onde até hoje não chegaram as enchentes. Virão outras, eu sei, e vou me estocar de paciência e gratidão por ter sabido escolher um lugar um pouco mais seguro para viver. E aí chego na frase do pano de secar louça que ilustra meu singelo texto: “Antes de tudo fé”. E logo em seguida, claro, um bom café - para nunca perder a rima com as coisas boas de todo dia.

Passado esse período, torço para que se revisem atitudes em relação a outra mãe, aquela que poucos ouvem. Sim, ela mesma, dona Natureza está em sofrimento graças a seus filhos desatentos. Ignoram o fundamental, derrubando florestas para semear grãos que alimentam os povos sim, mas os deixam à mercê desses desastres cada vez mais frequentes. Vamos ocupar os solos, mas evitar desmatamentos, por exemplo.

Por isso, mais do que nunca, antes de tudo, tenho fé de que a raça humana vai se abraçar na causa da conservação e boa utilização dos solos. Cuidará de seus projetos de drenagem com mais cuidado para uma vida um pouco menos atribulada.

 Não sejamos mesquinhos com quem nos acolheu para semear alimentos e harmonia no terreno fértil do bom senso.