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| A cozinha agora é o nosso refúgio |
“Bon Appétit” dizia ela ao concluir seus programas, cativando pela simpatia e principalmente, pela maneira engraçada, desengonçada que encarava as dificuldades, os erros eventuais na execução de algum prato. Precursora de tudo que assistimos hoje sobre o tema, na telinha, como o inglês Jamie Olivier, não é muito conhecida no Brasil. Seus livros e programas não chegaram por aqui, Mesmo assim, recomendo o belo filme “Julie & Julia”, com Meryl Streep no papel de Julia, onde deixa evidente a influência e exemplo para grandes mestres da gastronomia atuais, como seu compatriota, o “chef” Anthony Bourdain, que em seu programa de tevê, reconhece o pioneirismo de Julia.
Quando faleceu, aos 92 anos, em 2004, os tempos eram outros. Nos dias de hoje, as mulheres conquistaram novos espaços, assumiram funções antes reservadas exclusivamente aos machos da espécie. De alguma forma abandonaram a condição de "rainhas do lar", ou pior, acumularam funções. Mesmo assim, muitos maridos passaram a dividir tarefas domésticas com as esposas. E também assumiram o forno e o fogão, com desenvoltura. É o meu caso.
Sabor e chatice - Muitos homens estão presentes em cursos de gastronomia, não apenas envolvidos com a alta culinária, mas dicas para o dia-a-dia. Esta é a pior parte. Preparar um prato especial, é muito mais tranqüilo, por mais complexo que seja sua execução, do que alimentar uma família com equilíbrio entre o sabor e a saúde. O que mais me assusta é a parte chata de lavar pratos e manter a cozinha organizada. Mas tenho uma boa máquina que deixa brilhando louças e talheres e a cozinha, não tem jeito, está sempre higienizada, sem bactérias.
Compro livros de culinária e assisto a todos os programas possíveis na tevê, onde possa assimilar uma nova técnica ou receita. É uma retomada no sentido inverso. Chefes de família? Nem tanto, as mulheres exigiram democracia no lar, dividem o comando. Mas no kit de cozinha, muitos de nós somos os “chefs”, caseiros, afinal respeitamos receitas, criamos nossas próprias. Nâo é uma inversão de papéis, mais uma parceria mais equilibrada, onde se harmoniza amor e carinho, sempre muito bem temperados.
Conversa de homem - Por exemplo, na semana passada, no supermercado, repetiu-se uma cena que já assisto com freqüência. Ao passar pelo setor de artigos de cozinha, me chama atenção uma imensa panela wok – aquela típica da culinária chinesa – e enquanto conferia peso, acabamento e preço, um outro senhor também examinava panelas. De repente estávamos a falar sobre qual delas seria mais adequada para determinados tipos de receitas. Em seguida passa ao lado um casal e adivinhem quem resolveu parar para examinar facas? O marido, é claro. Ela foi adiante com a lista de compras, assim como haviam feito nossas esposas.
Antes, a nossa função era a de assar churrascos, quanto muito arriscar-se a um carreteiro ou aquele macarrão domingueiro. Típicos cozinheiros de prato único. Muitos nem atingiam esse nível, permaneciam como humildes auxiliares para lavar ou secar a louça. A coisa mudou. Fomos à luta e assumimos o controle na preparação receitas especiais: saladas exuberantes, doces caprichados e iguarias que seduzem nossas mulheres.
Invadimos uma nova área na deliciosa guerra dos sexos: agora também pela barriga, chegamos ao coração de uma dama. Começamos pelo “mise en place” que, em outras palavras, representam as preliminares de uma deliciosa refeição.

Que ótima iniciativa Ari!!! Vou me tornar uma leitora assídua do teu blog. Não vai dar para ser em qualquer horário, claro. Com ótimas dicas de gastronomia, como é "da tua laia", vai ser uma tortura visitá-lo antes das refeições.
ResponderExcluirSucesso nas caçarolas. E que venham muitos textos. bjão!
Valeu! Amanhã, sexta (17), dica de um bom vinho para os dias mais quentes...
ResponderExcluirAmigo, irmão e ídolo!
ResponderExcluirJunto com aprender a andar de bicicleta, meu grande sonho é aprender a cozinhar. Acertastes "na pleura" ao falar que "éramos" meros assadores de churrasco e esse - por ora - é o meu caso. Na cozinha minhas especialidades são chimarrão, lavar louça, preparar torradas e fazer vitamina de banana.
Eu e meu filho, Henrique, 16 anos, temos conversado sobre a arte de cozinhar e encontrar um curso simples que ensine a preparar pratos simples. Só isso! Minha filhota Laura, 18 anos, prepara ótimas massas e herdou o talento gastronômico da mãe, dona Cármen, que em minutos faz maravilhas. Ah... ela prepara janta todas as noites!
Portanto, amigão, estaremos ligados, eu e Henrique, neste teu blog. Aliás, é mais um golaço resultante deste talento que te transformou numa usina de ótimas ideias.
Temo ligado, bródi!
GILBERTO JASPER
Jornalista - P.Alegre