Estou seguindo rigorosamente as determinações da Defesa Civil, quieto em casa, acompanhando o noticiário e observando a chuva forte que vem causando prejuízos horríveis aos cidadãos gaúchos. A situação em meu caso piorou um pouco, porque meu bairro fica às margens da BR 290 e, como a maioria viu pelos noticiários, a força das águas arrastou um naco da estrada impedindo o tráfego de veículos. Ou seja, para chegar em Porto Alegre preciso dar uma volta em estradas de chão, na Região Carbonífera, aumentando os riscos de atolar em alternativas de pura lama.
E aí, sem o que fazer, fui remexer em coisas que estavam precisando colocar em ordem. Antigos trabalhos, livros fora de estante, discos de vinil que classifiquei em ordem por artista e estilo musical. Sim, eu ainda escuto LPs. Gosto de ver a ficha técnica, curtir a capa. Ajuda a entender melhor a mensagem do artista (quando esse quer passar alguma mensagem). Volta e meia cai a energia. E nesses minutos abro aleatoriamente uma página de um livro qualquer.
Descubro ou releio textos bacanas. Alguns diálogos bons, engraçados, ou mais sérios. Ler é uma porta aberta para a distração e cultura. Concordam comigo? Por exemplo me deparei com os “Contos Reunidos” de Machado de Assis. Fica a dica. Vale muito a pena curtir os textos desse romântico. “Creia em si, mas não duvide sempre dos outros”, escreveu ele, um sujeito que sabia ler a alma humana e criar espaços para o riso e a reflexão.
Ei! Estou divagando muito, eu sei. Mas a chuva e seu tilintar na calçada, o rolar pelas calhas me deixa assim, meio difuso, mais distraído do que o normal. E como disse no início, sou obediente. Ficarei em casa mais alguns dias. Quando vocês lerem essa crônica, a chuva terá cedido? As ruas estarão livres da inundação e seus terríveis danos? Ah! O que vejo em noticiários impressionada.
Começa achar que, de repente, Noé e sua Arca aparecerão carregando exemplares de cada espécie. Mas deixando de lado os predadores humanos. E rezo para a solidariedade na reconstrução ser maior do que os estragos provocados. É a pauta de minhas orações.
Agora vou tentar informações sobre a pista afundada na BR 290. Tenho reservas de alimentos, água suficiente mas não é nada agradável a sensação de que existe um bloqueio a impedir meu ir e vir. Fico literalmente sem chão. Estava pensando em dar uma volta aí, tomar um café expresso em um passeio sem agenda. Mas nem sempre tudo é como idealizamos. A Mãe Natureza anda nos responsabilizando por uma série de problemas e não lhe tiro a razão.
Então, encerro esse papo - sem pé nem cabeça - com uma singela sugestão: vamos dar mais atenção ao meio ambiente, o que acontece hoje tem uma ponta a ver com a poluição atmosférica, hídrica e dos solos que deslizam montanha abaixo. Isso sem contar a degradação sonora e visual.
E não me refiro apenas a música alta ou os "nudes" esdrúxulos que muitos curtem. Isso polui também, mas causa apenas danos ao bom gosto, dependendo do que se ouve ou vê. É questão pessoal de cada um e eu respeito. Mas desastres naturais, esses podemos insistir em mais cuidado com o planeta em que vivemos.

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