Inicialmente eu não publicaria essa postagem. Deixaria perdida, presa às ferragens digitais do blogspot que a maioria ignora e virou meu depósito de ideias digitadas. Mas pode ser que outros se identifiquem com o meu estado de espírito neste domingo. Simplesmente não quero ser o único a achar uma chatice o desperdício de um dia tão ensolarado – ou tão chuvoso, se for o caso – muitas vezes em troca de escassa satisfação.
Quem sabe alguém venha a me responder com frases selecionadas no Instagram, ou em outros guias de lugares comuns. Muitos afirmarão em letras maiúsculas (o grito digitado) que o pior está para vir: a segunda-feira ou Monday (Moon Day, Lunes, Lunedi, etc...) de origem pagã influenciada pela crença no deus Mani da mitologia germânica.
A questão é que , independente das questões etimológicas - com ou sem feira - a segunda é perfeita para uma nova ênfase às rotinas, salvar o que está pendente e só você pode resolver. Mas o que até hoje vejo, em minha vetusta existência é que as mantemos exatamente assim, rotineiras, nas demais feiras da semana. A culpa desse conformismo, ou preguiça, sei lá, é da forma errada em que, na maioria das vezes, aproveitamos o final de semana.
Eu, por exemplo, desde sábado acompanho as mudanças típicas da estação. Chuva, sol, frio e calor, revezando-se como meu senso de humor. Alegre e de repente, quase triste. Motivos para queixas são muitos: o que tenho recebido em troca de tanta dedicação existencial? Tanto respeito? Tanta solidariedade? Não revelarei os resultados que os miquinhos de minha contabilidade íntima entregou. Não vale a pena.
O que realmente importa é que envolvidos nos compromissos diários pela sobrevivência, não temos ligado muito para os amigos. Não é verdade? Aqueles que, volta e meia nos criticam, mas botam a mão no fogo quando necessário. Em meu caso, cadê a confraria? Vinhos, queijos e cervejas especiais? Foi um sucesso até eu desistir, sei lá por que. Os passeios culturais, as taças em bares bacanas com gente que busca coisas semelhantes, são memórias passadas. Em resumo, estou me reservando a um conservadorismo burocrático. A um tédio fantasiado de autoexílio.
No momento estou semelhante aqueles que no domingo cuidam bem da casa, organizam o roupeiro, dormem um pouco mais e será que alguma coisa muda? Mudar é importante. Oferecer um prato novo para o almoço, receber de bom humor uma visita surpresa que, por certo, também enfrenta o mesmo sentimento. Faz tempo que decidi ser menos conformado e rotineiro, no sentido acomodado da palavra.
Afinal existem rotinas saudáveis e essas, precisamos descobrir com iniciativa e criatividade. E não estou velho para tornar meu angu existencial mais digerível. A corda está cada vez mais curta e as boas rotinas, as que fazem um domingo ser menos depressivo, sempre serão bem vindas. As tardes de domingo, terão de uma preguiça mais saudável, quem sabe, trocando a maquiagem pesada que costumam ter as segundas e demais feiras. Vale tentar, com ou sem mitologia.
Arte de John Charles Dollman - Guerber, H. A. (Hélène Adeline) (1909). Myths of the Norsemen from the Eddas and Sagas. London : Harrap. This illustration facing page 8. Digitized by the Internet Archive and available from https://archive.org/details/mythsofthenorsem00gueruoft Some simple image processing by User:Haukurth, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4722868

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