Na adolescência se ama ou se odeia demais e assim, o mundo que parecia tão bom, de Super-Homem e Mulher Maravilha, das irmãs Frozen, Anna e Elsa, dos amigos da escola, dos professores legais, dos programas com a família, de uma hora para outra, se inverte na mais pura chatice. A melancolia adorna uma insatisfação raivosa e planetária.
As notas na escola lá embaixo, as notas na guitarra lá em cima! You say goodbye, I say hello! Haja ouvidos para tanta dissonância, haja saúde mental e financeira para bancar acompanhamento psicológico, professores particulares e festas da turma. O pelotão de ameaças sobre repetir o ano letivo avança contra os bilhetes da escola, o relaxamento nos cadernos, nas mochilas e por aí afora.
Enquanto isso, a contabilidade dos pais - pobres sofredores -, se transforma em voo rasante no desequilíbrio financeiro. Mesmo que os podem bancar, sem dificuldades, um adolescente na plenitude da insatisfação, perdem o sono e a tranquilidade. Isso passa. Mas a que custo!
Quantos não pensaram "Conosco será diferente! Não cometeremos os erros de nossos pais severos ou frouxos demais”. E agora o que se faz ao ver o filho, do alto de sua soberba juvenil decretar, por exemplo, que será um líder da nova revolução musical? Um novo Jimmi Hendrix?
E você aí, negociando com o gerente do banco outro empréstimo para a aula particular, aquele dinheiro que te pagaria alguns dias em Buenos Aires, ou uma academia para melhorar o corpo que se encaminha para a fase aguda da maturidade. Sim, famílias atentas ou omissas enfrentam igualmente a adolescência.
Quantos papais e mamães gostariam de chacoalhar vigorosamente os filhos até afrouxar o pino da adolescência e esse ser consumido por vorazes ácidos gástricos, transformando tudo em cocô e xixi. Mas, fatalmente, ouviriam os mais insanos desaforos dos filhotes. "Vocês não me amam! Eu nasci na família errada!"
Eu, eu e Eu. E nós que decoramos todas as cartilhas e oferecemos diálogo, autonomia com respeito aos limites e, principalmente, sempre valorizamos os rebentos e suas conquistas? Pais que se esforçaram no politicamente correto, com medo até de julgamentos nas redes sociais. Dar palpites sobre a educação dos filhos alheios é fácil. Criar é outra conversa. Qual o nosso destino?
Acabamos, muitas vezes, com a certeza de que fomos ótimos pais na infância, caprichando no presente do Dia das Crianças e fraquejamos nesta devastadora fase. Mas passará, não temam. O que nos resta é entendimento e empatia. A única saída. Aliás, também busquem, sempre que possível e adequado, o apoio dos vovôs e vovós. Eles são ótimos conselheiros até mesmo para esses amados seres em mutação. Comigo foi assim. Então, não desesperem. Vai dar tudo certo.

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