E aí talvez se explique essa vontade escapista do ser humano em buscar leituras leves ou criar notícias falsas nas redes sociais, onde seguidamente surgem celebridades femininas a exibir lascas de bumbum. Especulam, “estaria ela sem roupa íntima?” Outro mistério! Quantos séculos levaremos para desvendar uma revelação que amanhã, não valerá mais nada, transformada em diminuta fagulha na constelação de astros do cinema ou do espaço infinito.
Bumbuns, seios fartos e gente disposta a se expor, não faltarão até o momento apocalíptico de uma colisão solar. Uns observam o sol, a natureza, as ciências, outros empunham uma máquina fotográfica para a vil missão de flagrantes pueris. E existem aqueles que se aproveitam disso para iludir os distraídos com arremedos de cultura política e social.
Entre a astrofísica e as revistas de variedades, penso que o melhor ainda é aproveitar os bilhões de anos que nos restam, focados nas coisas que realmente importam. Mas o que é verdadeiramente importante? A cultura ultraleve da vida mundana? A filosofia, a poesia dos gênios incompreendidos? A busca por lideranças terrenas que façam tudo isso valer a pena? E ainda, quem perceberá nossa ausência, após sermos engolidos pelo Sol?
À noite, abandonei essas reflexões ao perceber a lua minguante como se a navegar perdida entre estrelas. E para mim aquele momento era maior do que a visão de um bumbum carnudo de celebridade ou de teorias sobre as probabilidades de termos o planeta engolido por nossa ainda amistosa estrela solar.
Se um dia o planeta for tostado por uma estrela de fogo, que tenhamos então produzido o melhor, o mais digno em pensamentos e ações para justificarmos, minimamente, a instabilidade e brevidade da condição humana como a conhecemos. Aos que creem a certeza do paraíso, aos céticos, a experiência de uma existência digna. “São demais os perigos desta vida” cantou Vinicius de Moraes.
E aí é que está a graça.

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