Descobriu, por exemplo, que os bandidos passaram a usar seu carro em outros assaltos. Com um fiapo de esperança em recuperar o veículo, jurava: “Eles me devolvem num dia, no outro eu o coloco à venda. Está contaminado pelo estigma da violência”.
Mas em meio a sua investigação privada, ouviu um insólito e tragicômico relato de outra vítima da violência urbana. O sujeito decidira colocar em prática uma fantasia erótica em um lugar insólito: um estacionamento ao ar livre, durante a madrugada! Tinha convicção que seria seguro, tinha muita luz ao redor do parque e isso o deixava mais eriçado. Assim, enquanto a paixão quase incendiava o estofamento do veículo, percebeu a movimentação de gente estranha e armada. Pior, não eram seguranças ou policiais militares. Mais do que depressa saiu em louca corrida entre os carros.
Na fuga ligou para o 190 e num lance de rara sorte, em menos de cinco horas, tinha o carro localizado sem avarias. A esposa, solidária, o acompanhou no dia da liberação do veículo. Nervosa, começou a conferir os estragos. E foi assim que, debaixo de um dos bancos, encontrou a cueca do marido, entrelaçada a uma calcinha, pequenina demais para ser dela.
Ora, o infeliz estava com outra no carro! Ou seja, como sentencia um velho (nem tanto) amigo jornalista (sempre eles), tudo o que está ruim, sempre pode piorar. O infeliz, recuperou um veículo, perdeu a mulher (ou quase, não sei o desfecho) e pagou um grande mico existencial.
Cá entre nós, até para trair é preciso um mínimo de talento.

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