quinta-feira, 7 de setembro de 2023

A fúria das águas

Antes estivéssemos assistindo a uma superprodução de Hollywood. Com elenco consagrado e um diretor especializado em roteiros de grandes catástrofes.  Mas não, infelizmente era a realidade assustadora, superando tudo o que o Cine Arcoplex um dia passou, nesse gênero, em Lajeado. Infelizmente, era uma triste realidade, bem distante das telas, que não consumiu milhões de dólares para se produzir, mas exigirá fortunas para uma urgente reconstrução do que se perdeu, especialmente no Vale do Taquari. 

Em poucas horas, lugares tranquilos, com paisagens campestres ou urbanas, foram devastados por uma enxurrada nunca vista, arrastando, inclusive, casas inteiras. Ouvi relatos entre o espanto e a comoção de pessoas  - crianças, jovens e idosos -  buscando, no desespero, escapar deste devastador ciclone. Escalavam paredes, árvores, viam seus bens engolidos pela onda marrom do barro que pintava as águas nos tons do desespero.

Horas depois, o que se via era gente caminhando feito zumbis nas ruas. Queriam respostas à fúria da  natureza. Buscavam entender o que lhes tirara, de uma hora para outra, bens materiais, casas inteiras e, muito mais doloroso, familiares e amigos. Aqui onde moro, bem próximo ao rio Jacuí, distante da enxurrada, ouvi comentários de amigos que trabalham em São Jerônimo e outras cidades da região, preocupados com o aumento do volume das águas que poderiam levar a novos infortúnios. 

Mas o que mais os impressionava eram as cenas, inéditas e assustadoras de móveis, pedaços de automóveis, portas, janelas, paredes inteiras, a descer o rio na direção da região metropolitana de Porto Alegre. Na maioria dos grupos que sigo nas redes sociais, essas cenas se traduziam em alertas para a necessidade de ajuda. Sim, o que a água arrastou pode ser reconduzido às vítimas no formato de enxurrada solidária do bem. Essa é  a hora de tirarmos, o mínimo que seja, para o máximo de ajuda às vítimas de uma catástrofe histórica. 

Eu estou fazendo a minha parte entre doações e orações.  Tenho um carinho imenso por essa região, especialmente Arroio do Meio que, há tantos anos, me acolhe semanalmente nas páginas do Alto Taquari. E pelo que conheço da gente daqui, muitos queridos amigos e amigas do cotidiano, sei que não faltará força para a reconstrução. Quem sabe, também incentivando a novos métodos de prevenção a esses desastres naturais, cada vez mais frequentes.

Aos que dizem ser o fim dos tempos, contraponho garantindo que, na verdade, deve ser o princípio de uma nova era, mais pacífica e de respeito à natureza. Creiam, ou pensem a respeito: tudo o que nos acontece, de bom ou ruim, é sempre uma provocação para evoluirmos em sabedoria e fé, porque sem ela, seremos arrastados juntos a tragédia de uma existência vazia.

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