sexta-feira, 3 de junho de 2022

Aos que sonham com um milhão de amigos

Em dias de convivência e relacionamentos a base de likes e postagens em redes sociais bate um certo relaxamento na hora de buscar uma parceria fraterna para um bate-papo, uma troca de confidências ou um simples e terapêutico abraço. Com a pandemia, a coisa piorou muito nos últimos dois anos. É o medo do contágio, de correr um risco desnecessário de vida. A coisa anda tão forte que os norte-americanos, que adoram uma pesquisa, revelaram, via
Gallup, que as pessoas, cada vez mais, perdem contato com seus mais íntimos amigos.

E aí fica a pergunta: como anda a situação aqui por terras brasileiras, onde tem gente mais preocupada em abraçar conflitos irracionais e extremismos do que o entendimento. Eu, por exemplo, conto nos dedos o total de amigos verdadeiramente importantes em minha vida. Do tipo que vitamina a alma com uma parceria de verdadeiros compadres.  Lembro a sarcástica citação do irreverente Millôr Fernandes: “Meu pesadelo, está expresso na música do Roberto Carlos: 'Eu quero ter um milhão de amigos'. Que horror!” 

Também tenho minhas desconfianças entre aqueles que se jactam por andar rodeados de gente. Essa ansiedade de amigos aos baldes, muitas vezes resulta em uma depressiva solidão. O importante não é  conquistar a tribo inteira. Estudos realizados ainda no século passado demonstraram que, entre três a seis pessoas é razoável para uma troca de experiências eficaz e saudável.

Laços fortes de amizade podem aumentar a vida em até dez anos. Encastelados na riqueza material, mas isolados, somos um prato feito para a desordem mental, depressão ou doenças cardíacas e câncer. E se você acha que está bem assim, com seu núcleo familiar, ou simplesmente a esposa e um ou dois parceiros de carteado, saiba que não está errado. Um casal que não viva às turras, pode muito bem desenvolver um grande laço de amizade. Namorados e amigos, ora!

A ciência já comprovou que uma amizade bem resolvida, com troca efetiva de boas energias, libera um hormônio bacana que estimula a interação social, a ocitocina – importante na redução dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea, ao contrário da adrenalina provocada pelo isolamento a envenenar o organismo com o aumento nos níveis de estresse. 

Então, vamos dar uma atenção especial aqueles que nos querem próximos não apenas no Instagram, Facebook, curtidas no Tik Tok, ou nas páginas de namoro onde a falsidade é a melhor amiga da ilusão. Na semana que vem eu volto, até lá, obrigado pela paciência de ter chegado até aqui. Um bom sinal de parceria que, com certeza, pode levar à amizade.




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