sábado, 11 de junho de 2022

Inesperada surpresa no Dia dos Namorados


 Tudo aconteceu muito rapidamente. Demorado foi achar a cesta de bombons especiais - sem açúcar - que estão raros desde o início da pandemia. Correu em todas as chocolaterias possíveis e assim, juntando, aos poucos, formou um pacote bonito de trufas variadas, saudáveis e saborosas. Um casamento não pode ser vencido pelo comodismo. E a coisa andava muito estranha em casa. Por isso resolveu quebrar a promessa feita à esposa de não gastar nem um centavo no 12 de junho. “Vamos nos presentear com algo muito melhor” sugeriu ela.

E o que poderia ser isso? Na dúvida ainda reservou a espumante favorita dela, Os dias foram passando até que ele não conseguiu segurar a ansiedade e na véspera, uma sexta-feira nublada, levantou mais cedo, tomou seu banho ouvindo Bee Gees (porque era um sujeito da antiga) e, na hora do café, com olhos marejados de uma rara emoção, fez a entrega do singelo, mas nem tão barato mimo

Me faltam adjetivos, mas um substantivo abstrato (quem é bom em gramática sabe o que é)  cairia perfeitamente naquele momento, pois dependia da reação dela, imediata e decidida. “Eu não disse que não queria presente?” E pediu que ele sentasse antes de desatar um discurso lento, quase sussurrado mas decidido: “não te falei que teria algo melhor? E comunicou à queima roupa sua decisão pela separação. “Mas isso é um presente?”, gemeu ele, decepcionado, mas não surpreso. “No estado deprimente de nosso relacionamento sim", conclui a mulher.

O café estava frio, a cozinha ecoava uma solidão antiga e ele decidiu respirar na rua. Na descida encontrou seu Jorge, o zelador. Perguntou se já tinha comprado presente para a data dos casais. “Vai ser um beijo e só. Está feia a coisa”, resmungou o homem antes de abrir um sorriso imenso de emocionada alegria. Nas mãos recebia a caixa de bombons e a promessa de uma garrafa especial de espumante. Não teve tempo para ouvir os sinceros  agradecimentos. Esse meu personagem agora tinha uma pressa de recomeço e a certeza de que, afinal, esse era realmente o melhor presente. “Afinal, ela nunca erra”, conformou-se.



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